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“As vezes por mais que você faça tudo o que esta ao seu alcance, isso não é o bastante.”

Pode parecer bobagem mais já escutei muito essa frase.

Profissionalmente escutar isso é péssimo, porém de certo modo é normal, as necessidades da organização geralmente excedem e muito a capacidade um uma pessoa, muitas vezes por erros de planejamento, de gestão ou direcionamento.

No ramo acadêmico é bem comum (já nem me importo muito de ouvir isso mais) seus professores sempre vão te “puxar” para que você exceda sua capacidade. Talvez seja esse o papel deles mesmo que nós não aceitemos isso ou simplesmente não nos importemos.

Já terminaram comigo dizendo isso. Bem ai é essa frase pesa. Acredito que ao dizer isso realmente a pessoa te acha um péssimo namorado. E a sensação que preenche a sua mente é uma eterna perseguição de padrões de comportamento que não podem ser alcançados ou simplesmente não fazem parte do seu ser.

A pior parte dessa frase é que a pessoa reconhece o seus esforços e os descarta. O que é algo cruel de se fazer de várias maneiras. Se você considerar que cada um de nós temos uma “bagagem” própria, nossos medos, nosso sonhos e nossas limitações.

A parte mais difícil é você ter vivido com pessoas esplendidas que você admira e acha que são “como Deuses”. A comparação, ou melhor, a auto comparação que fazemos mata em nó mesmos a confiança e a força de vontade.

Isso me lembra muito o poema “Versos Íntimos” de Augusto dos Anjos:

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera –
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

De certo modo cada vez tentamos alcançar patamares que não temos, expectativas inatingíveis e quando menos esperamos caímos novamente nesses sonhos perdidos de grandeza.

Eu sei que sou tolo, sempre me esforcei e tentei me “tornar melhor” e quando me olho no espelho não vejo nada do que gostaria. Não que isso seja algo ruim, sei que tenho qualidades talvez não muitas ou nada que possa enumerar mas sempre trabalhei para melhorar, sempre estudei para melhorar, e não consigo relaxar.

Talvez meu maior erro é ser como Ícaro, é voar próximo demais do sol e ter minhas asas desfeitas pelo Sol, e cair na imensidade do mar e ser engolido pela realidade fria, e por que não dizer, dura da vida.

Devo ainda ter esperanças?

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